Nos meus estudos solitários, perfilava os mesmos Arcanos Maiores, de conjuntos diferentes, horizontalmente sobre a mesa. Anotava as diferenças e igualdades entre eles. Buscava pontos convergentes. Observava a aparição de letras hebraicas; os signos astrológicos; a disposição das figuras, suas cores, e etc. Encontrei mais divergências, de início.
Tentava entender nos livretos que acompanhavam os conjuntos (geralmente em inglês) e buscava mais informações nos poucos livros que adquiri na ocasião. Pesquisar na internet? Sim, mas era por acesso discado... cobrado pelo pulso/minuto que estivesse conectado. Fase de muitos nós em meus pensamentos, e na minha anoréxica carteira.
Por teimosia perseverança, seguia como era possível. Comecei a perceber algumas diferenças sutis neste novo universo de autoconhecimento. Não me refiro aos diferentes conjuntos de Tarô, mas a outro detalhe que começou a incomodar minha alma de estudante solitário.
Alguns autores davam nomes e atributos diferentes para alguns Arcanos em suas obras, deixando-me confuso sobre qual “visão” confiar e seguir. Por qual estilo (autor) estudar, para poder usar esta ferramenta poderosa? E para que finalidade? A tudo isso ainda somavam-se alguns enunciados como: o Tarot não é uma ferramenta para especulações mundanas (adivinhações); é uma das mais altas ferramentas teúrgicas; um legado dos taumaturgos a humanidade... E como se não bastasse, havia sugestões de que a Rota do Tarô era para poucos iniciados.
Ommmmmmmmmm
Minha avó dizia que quem procura acha! E não foi mesmo que encontrei respostas para minhas dúvidas e dilemas? Não, não eram "tarôs diferentes" aqueles que comparei no início, mas sim escolas e linhas de estudo de interpretações diferenciadas. Contendo uma base comum entre si. Agora, o mais gratificante: descobri que qualquer um que se dispusesse a estudar poderia seguir; e encontrei a sentença libertadora: Tarô é Tarô, e não tipos de Tarô! \o/
No fim das contas, existem diversas escolas como: a Simbólica; a Cabalística (por vezes divergente sobre as suas estruturas filosóficas); a Mitológica (conceituando arquétipos de mitos variados em analogia aos Arcanos tradicionais). Note que por mais inovadora que seja uma proposta sobre Tarô, todas as que surgiram nos últimos cem anos têm nos símbolos clássicos a sua referência.
Existem propostas ou tendências de vanguarda sobre o Tarô? Sim, pode e poderá haver sempre. E como ficamos? Sei lá! Aquilo que aplico vem do que ainda estudo de Simbolismo Clássico, por crer ser essa a fonte mais antiga e original do uso oracular.
Também já pousei meus estudos sobre diversas outras propostas e seguimentos, inclusive alguns bem diferentes do que professo hoje. Comparei e escolhi a linha que considero a melhor para os meus anseios.
Ousadia minha: ter o Tarô como filosofia de vida e considerar que o estou fazendo da forma mais tradicional ao meu alcance. Sem conservadorismo. Pretensão minha: fazer as pessoas pensar por conta própria, contando algumas das minhas simplórias experiências com o velho baralho...
As’salâmu a’alaykum!
Imagem: Tarot Classic CLaude Burdel / Tavaglione Tarot: US Games; Tarô Mitológico Liz Greene e Juliet Burke Ed. Siciliano
Posso contar minha experiência tb?
ResponderExcluirPrimeiro de tudo, eu acho tb que tarot é tarô... ponto final... e vejo que com o tempo ele foi se estruturando como é hoje e que as pessoas, estudantes, interessados, fazedores de decks é que vão aumentando seus atributos, entendimentos... tanto pelo que estudam, quanto pelo que vivenciam. Tanto é que nos reportamos melhor a um deck do que a outro, mas a essência mora ali. Lua é Lua... mas uns podem ter medo do oculto, outros podem ser fascinados por ele.
Eu comecei com o tarot tinha 12 anos, pq minha mãe ia dar o dela (mitológico) embora... e o que eu sabia naquela época? Sabia que, de alguma forma, aquilo me preenchia. E até hj eu tenho esse sentimento. E adoro explorar, entender, ver, vivenciar, estudar, ensinar... viver o livro da vida que está ali.
Eu não o relaciono diretamente com astrologia ou com numerologia, menos ainda com cabala... São aos arqueétipos, o que vive com a humanidade desde sempre que me faz ler cada um dos símbolos e viver com ele.
Amo mt!
Me sentia assim até encontrar os livros do Nei e a comunidade da Vera no orkut... que inicialmente se chamava tarô é tarô... lembro que entrei na comunidade dela por causa desse nome!!! Até que fui ter aulas com ela e tudo clareou! bjs =)
ResponderExcluirPietra,
ResponderExcluirobrigado por compartilhar sua bonita experiência! O Tarô é um pai do tipo facilitador, sendo aberto ao diálogo com outros saberes esotéricos e não esotéricos, desde que se entenda o limite de sua abrangência...
Gosto também quando vejo um conjunto novo, trazendo adereços ou emblemas novos às imagens, expandindo os atributos típicos do Arcano. :)
Alethea,
ResponderExcluirconhecer a Vera foi um oásis na minha jornada. Pelo Tarô, Astrologia, Cursos, Mousse de Chocolate, Nei, Gian, Marcelo e muita gente bacana, além do carinho e da amizade de altíssimo astral! Obrigado pelo comentário.
Beijo! :)
Termina que o tarô é a cara de quem usa! rsrsr Como é um espelho reflete as ideias de quem manipula, e como um mago esperto se adapta ao tarólogo.
ResponderExcluirComo todo caminho, se faz ao caminhar. As sugestões que aparecem de outros estudiosos fica como referência, mas não senda certa a seguir.
Todo dia aprendemos com essa representação da vida que é o tarô!
Bjs!
Nanda,
ResponderExcluirpenso que podemos aprender com o legado de alguém, e alguém poderá aprender com as nossas referências.
Há diversas vias para explicar o que decodificamos dos Arcanos, mas não devemos alterar seus atributos essenciais.
Tenho a impressão que é o Caminho que nos busca...